HISTÓRIAS QUE SE COMUNICAM - Correio da Lavoura

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3 de abr. de 2025

HISTÓRIAS QUE SE COMUNICAM

*Almeida dos Santos


Cel. Bernardino José Soares de Mello Júnior, conhecido por dar nome a uma rua famosa em Nova Iguaçu e por sua ligação com a Fazenda São Bernardino, nasceu em 20 de outubro de 1867, na Villa de Iguassú, e faleceu em 26 de junho de 1912, com 45 anos, já nos tempos que a cidade era chamada de Maxambomba. Só em 1916 é que o Município passou a se chamar Nova Iguaçu através de uma ação do deputado Manoel Reis, contemporâneo de figuras públicas como Getúlio de Moura, Arruda Negreiros, Tenório Cavalcante, entre outros.

Falando do Cel. Bernardino de Mello Júnior, em que pese a patente seja a mesma que a do pai, é filho do Cel. Bernardino José de Souza e Mello (fundador da Fazenda São Bernardino) e de Cypriana Maria Soares, filha do Francisco José Soares, conhecido como Comendador Soares, português reverenciado por ter participado da luta para que Iguassú voltasse a ter as características de vila. Vale esclarecer: a Villa de Iguassú foi criada em 15 de janeiro de 1833 e o intendente, que mais tarde se tornou Barão do Guandu, foi Ignacio Antonio de Souza Amaral, empossado em 29 de julho de 1833. Mas a vila foi extinta pela Lei Provincial nº 14, de 13 de abril de 1835, e logo depois restaurada - perdendo territórios -, pela Lei nº 57, de 10 de dezembro de 1836.


Mas, continuando a falar de Bernardino de Mello, ele foi casado com Joaquina, claro que é uma outra Joaquina e não a que foi casada com Comendador Soares. Esta Joaquina casada com Bernardino de Mello era a Joaquina Amélia Moreira de Barros, filha de Anna Agueda Moreira da Silva e do Dr. João Antônio de Barros Júnior (foto extraída do Tribunal de Justiça do Paraná). Mas quem foi Barros Júnior? Foi juiz iguaçuano conhecido por suas características abolicionistas. Dr. Barros Júnior era amigo de Francisco Rangel Pestana, iguaçuano fundador do jornal Estado de São Paulo e, hoje, é nome de uma escola estadual muito popular em Nova Iguaçu.

Essas relações são importantes de serem faladas. Ainda que considerando a história pessoal dos personagens, as relações estão interligadas. É isso que me desperta interesse, um interesse maior. Mas, repito: em que pese à história de cada personagem, elas se comunicam formando uma teia.

Vejamos outro exemplo: Carmelita Brasil Monteiro, primeira vereadora de Nova Iguaçu, em 1947, teve a influência do padrasto Pythias de Castilho Lobo, afinal, o pai biológico abandonou a família. Pythias foi comerciante com uma loja onde hoje é a Rua Cel. Francisco Soares, este filho de Comendador e que também foi presidente da Câmara. Sobre Pythias, junto com o Cel. Ernesto França Soares e Cap. Antônio da Silva Chaves, trabalhou contra a nomeação do primeiro prefeito de Nova Iguaçu, Mario Pinotti, em 1919. E por aí vai!

Vejamos o Morgado de Marapicu, lugar cujo Bispo de Coimbra nasceu, o Conde de Alzejur nasceu e até o tutor de D. Pedro II, o Marquês de Itanhaém, substituto de José Bonifácio, também nasceu. Mas não são apenas os laços familiares que formam essas alianças. São histórias pessoais bem definidas, apesar dos vínculos. E nos tempos atuais?

Dudu Reina, por exemplo, chega à política pelos braços do ex-prefeito Rogerio Lisboa. Dudu agora é prefeito e Rogerio (ex-prefeito), vai definir seu futuro. Cada qual com a sua história pessoal, mas tendo suas histórias interligadas.

No meu ponto de vista, falta um setor para tratar disto na administração municipal. Essas histórias, por mais que sejam pessoais, estão ligadas à história iguaçuana. Enquanto na Câmara estão pensando em discutir os patrimônios materiais e imateriais, cabe à Prefeitura pensar nisso. O bicentenário do Município é logo ali (em 2033). Está na hora de se preparar para isto!

*Almeida dos Santos é jornalista e ex-coordenador do Centro de Cultura Mario Marques da Câmara Municipal de Nova Iguaçu.